SAPO DE ALUGUEL
Lá vinha o Rospo com a placa pendurada no corpo: ALUGA-SE PARA POESIA.
A Sapabela estranhou: - Que placa de aluguel é essa, Rospo? E por que alugar para poesia? Uma coisa inútil que na prática para nada serve...
Com a provocação da amiga, Rospo reage.
- Não fale isso! A poesia tem muita utilidade. Aliás, por que tudo tem que ter utilidade?
- Ora, Rospo, precisa se apegar mais ao que tem serventia. Uma casa, por exemplo, é algo útil.
- A utilidade material da casa é tão importante quanto à poesia...
- Explique. E fale também sobre essa história de aluguel...
- A poesia precisa de uma morada.
- Sim?
- Então ela pode morar dentro de mim. Eu me ofereço para abrigá-la. Posso ser a sua morada, a casa da poesia.
- Entendi. A poesia pode morar em você, mas isso ainda não demonstra a sua utilidade.
- Simples. Com ela morando em mim eu melhoro. Essa é a sua utilidade: melhorar os que a carregam dentro de si.
- "Ele tem razão. É simples."
"Marciano Vasquez"